sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Rondo do capitão



A cortina quase se fechando, e eu, ansiosa, ainda espero o final feliz onde todos podem se abraçar e ter um sorriso, calejado de lutar, mas ainda assim meigo e completo. Mas o toque de cheff é o poder de deixar o público com os planos quase alcançados, vendo ir embora a expectativa, deixando claro aos seus olhos um final trágico, exuberante em lágrimas e gritos histéricos, para que todos saiam da sala se perguntando o motivo da imprudência.
E ainda assim, atravesso a rua esbarrando em vestidos de seda e derrubando chapéus arredondados de abas curtas, sabendo que todo o resto do enredo estava ali e ninguém percebeu. O ato ainda estava no patamar superior, e eu, de tão boa atriz, repeti algumas falas como : 'Quanto tempo é necessário pra varrer toda essa tristeza? Pra fazer uma faxina neste meu ego tão sujo e esquecido? ' e todos pensaram que fosse meu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Babilônias da desconstrução


Minha vida se resumindo no proposto, no propósito, a face não vista por Cecília Meireles, a lógica de tudo que eu não me acostumei. A certeza de acordar, de levantar, de vestir, de comer, andar, dizer. O lado abstrato de viver uma rotina sem propostas ou perspectivas em quatro dimensões, sem dificuldade alguma de planejar o dia seguinte ou perder o sono pensando em algo novo que viveu.
Recordações que voltam a fazer parte de algo tão novo a ponto de parecer real, certezas impróprias de momentos saudosistas, dúvidas não esclarecidas que se marcaram com reticências no fim da página e as multidões de palavras e movimentos desnecessários como a memória anestésica do escuro da sua casa de bonecas.
A sensação de viver contando os segundos para a solidão, tendo que esta se resume em felicidade. Aprender a dar gargalhadas espontâneas forjadas, só para sair da desnecessária explicação da sua vida construída em pretérito perfeito, ou imperfeito, não faz tanta diferença.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entre Julho e Agosto


E no meu enredo tipicamente romântico as horas não devem passar, e só passam quando a vontade de ficar é a unica existente; quando me olha com todo aquele brilho, quase sem piscar, querendo dizer tudo e de certa forma dizendo.
Se todos os dias fossem Sábado, eu deixaria de criar castelos nas nuvens e vê-los destruídos ou transformados com o sopro do vento.Seria como acordar sorrindo com a certeza de ver seu cabelo bagunçado no travesseiro ao lado do meu; se os seus olhos estariam abertos ou não, pouco importa, poder te abraçar e te beijar antes do café da manhã não se compara a um dia bom.
Mas ainda deixo seu lugar vago na cama, a fronha limpa e o cobertor esticado. Não preciso fechar os olhos para saber que esta olhando fixamente para mim.
O teatro continua cheio e todos ainda gritam nas cenas de beijo, mal escutamos as falas e eu sequer li a obra, mesmo o movimento dos seus pés me fazer parecer um bibelot, sua mão ainda aquece a minha e a peça poderia acabar ali, assim como os dias considerados 'bons'.