quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

eu quero, mas não.



não gosto de café, pasta de dente branca e falsidade. não gosto de hospitais, injustiça e inglês. salsinha, cebolinha e aranhas. suspense, quedas e medo. derrotas, salto plataforma e provas. barco viking, moda e alargadores exagerados. grama áspera, trovões e preconceito. piadas de mal-gosto, dupla personalidade e amor...
na verdade eu só precisava gostar de alguma coisa, só precisava gostar do dia de hoje, mas dias assim sempre chegam já dizia minha avó. A chuva continua caindo na vertical, em pingos esféricos, molhando os carros, as calçadas, as pernas de quem protege apenas os ombros. E eu aqui... olhando pelo vidro que barra o vento, as gotas que agarradas ao fio não se deixam cair. Contando vantagens e desvantagens em estar sozinho, procurando explicação pra não querer me apaixonar, ou querer.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

e neste ano...


dois mil e onze não me esperou, entrou na minha casa sem bater, abriu a geladeira e tomou o ultimo yakult que eu guardava para o café da manhã. Não me esperou passar rímel, entrou no quarto, me puxou pelo braço e com um leve sopro abriu meus olhos para um novo dia, uma especie de nova estação do ano, uma maratona onde estou em primeiro e último lugar, concorrendo com meu ódio e meu egoísmo... passando á frente do alto ego me deparo com o meu amor, ah o Meu Amor, prometi você de presente à Iemanja no final de 2003 quando cenas de romance não saiam da minha cabeça. Dois mil e onze sentou na minha cama, com os pés de lama, abriu a mochila e tirou de dentro o medo,a esperança e todos aqueles pontos de interrogação que pra mim já eram esperados... fiquei esperando algum tipo de momento, de felicidade, de novidade, mas nada disso foi trazido, anotou meu e-mail e endereço, prometeu mandar depois se sobrasse algum para mim. Disse algumas frases de começo de ano e partiu, me deixou agridoce, seja la o que esta palavra signifique. Foi embora assim, sem dizer oi ou tchau, não me deixou dizer sequer uma palavra, como se eu fosse obrigada a aceitar tudo que me trazia.
Tentei entrar em contato, mas a alguns anos a linha esta ocupada, talvez não só eu esteja atrás de novos entregadores de promessas. Um que me escute ou pelo menos traga algo novo... ja cansei de vê-los irem embora, e eu aqui, com os braços carregados de interrogações, para coloca-las no cabide ordenadas por cores e tamanhos, decifrando meus dias, meus amores, meus vícios, meus gostos e todo esse vasto tempo que me foi dado nesse exato momento.

domingo, 19 de dezembro de 2010

sobre café e camas desencostadas.


ainda não acostumei com o cheiro obrigatório do café de manhã, com outro par de chinelos na porta da sala... outra voz de bom dia, a cama desencostada da parede.
meu coração continua soprando ventos rasteiros, carregando sonhos e esperanças
talvez você não preencha 1/10 da minha realidade, e nem metade dos meus desejos.
seu perfume, o som da sua respiração, seus dentes brancos de pasta de dente barata... nada do que eu imaginei um dia. Devolve a vida que você perdeu. Aumente o tom de voz, chegue bêbado em casa, transe com uma garota de programa em cima do nosso edredon presente de casamento de uma tia distante, qualquer coisa, mas me dê um motivo pra eu dizer as frases que tanto quero dizer e você, com tamanha delicadeza em fazer tudo certo, não deixa.
Desligue a televisão, encoste a cama de volta na parede, não tome café em copo americano... liga o som do carro no último, abra o teto solar, dirija pra qualquer beira de mar, me devolve essa liberdade que eu tanto preciso. Pare de montar esse quebra-cabeça com o meu passado, me traga uma tequila e me observe enquanto danço, arrastando a barra do meu vestido na areia da praia deserta, com a Lua orando pelo meu futuro, onde eu possa ver o Sol nascer pro mundo, o Sol nascer pra mim, dentro de mim. Me deixa ser assim... errada.